11 de out. de 2010

AMOR, AMIZADE E DESPREZO

Do mais puro espírito não lhe basta "amar o próximo como a ti mesmo".

Muitas vezes o amor que nos insere na sábia doutrina de vivermos bem conosco é, por oportunidades, pequenino ao ponto de  maltratar a nós próprios, para atingirmos objetivos traçados para uma vida, até prova em contrário, desnecessários.

E do que falar do amor ao próximo se, às vezes, nem a nós mesmo amamos?

O ser humano parece, nas muitas fases da vida, que não é semelhante ao seu semelhante e, como se não fosse o tudo, faz da diferença que teima em implantar em sua memória uma conquista armada para, por puro capricho ou vantagem, desconsiderar o seu "rotulado" irmão que de consanguíneo resta apenas o rubor à chegada do desespero.


Pobre mortal cuja morte não chega, faz desta sua passagem na terra uma estada usurpada do tempo, quando lhe é permitido permanecer entre os ditos semelhantes. Maldade impensada ou pensada ao vento atira-a, como se o horizonte desse cabo às feridas nos semelhantes, provocadas. Ó amizade eterna, em terra já encontra o seu caminho, onde a luz não reluz e o muito do calor, hoje gelo, é seu habitat. 

Amigo, eu? Você está louco, não te conheço! Compromete-me quando ousa aproximar-se de mim, pois sequer dantes o sentira. Reflete, agora, tal expressão autêntica dos viajantes sem perceber quando é trocado o curso dos trilhos assentados em dormentes frouxos e mesmo que ainda fixos por cravos envelhecidos, oferecem viagem mais interessante, apenas pela vivência do momento, único, apenas aos olhos.

Mesmo sem aperceber-se dos rumos, segue uma nova viagem aprazível, com paisagens encantadoras que inebriam e confortam num sossego de paz o híbrido espírito. O ar fresco, puro e perfumado por campos enriquecidos naturalmente toca-lhe a face num musical de felicidade.

É uma vida para a vida intensa, inteira e sem muito olhar para onde leva a mudança dos trilhos e, muito menos, ao que de importante lamentará na chegada da estação, quando o grito das antigas rodas de ferro travadas sobre os trilhos fizerem a parada final de mais uma etapa vivida intensamente. Já em repouso dos pensamentos, as lembranças nostálgicas de semelhantes amizades sucumbidas pelas fantásticas etapas da vida serão meros mosaicos misturados a tantos outros já empoeirados.

Apressa-te, o próximo trem já apita anunciando uma nova etapa. Vai-te, não percais os momentos que vives agora, independente de onde prostam-se os amigos de outrora.

Um comentário:

Taíssa disse...

Pai, estou gostando de ver o desenvolvimento de seu blog. Temas diversos, imagens criativas e textos bem escritos. Tudo que vc faz é bem feito, a começar pelos filhos...rs! Vc vai longe nessa ideia! Boa sorte!