Se ligarem para cá diga que eu sou, apenas, diarista, pois me cadastrei no Bolsa Família e já declarei que não tenho emprego; Estou disponível para trabalhar, mas gostaria que não assinasse a minha carteira, porque estou recebendo o seguro desemprego;
Não sou estudante, mas possuo carteira como tal, para acessos com menor custo;
Sonegar imposto é um direito, pois quem deveria dar exemplo rouba mais que eu.
Essas são algumas das diversas situações que caracterizam a falta de caráter, ética, honestidade e bom senso. Exige-se tanto dos outros a solução que está em cada um.
Esse é um tema bastante proferido, mas sem um nível de eficácia capaz de fazer mudar a crença das pessoas pelas pessoas. A blindagem contra as mazelas da desonestidade que pairam em volta das pessoas é bastante resistente, entretanto a falta de caráter nasce de dentro dos seres, o furor do benefício ilegal é da vontade de cada vivente, a causa do prejuízo a terceiros é o benefício conquistado pelos gestos conhecidos, pensados e raciocinados interiormente e comandados por impulso pessoal. Ser desonesto é permitir-se ser, porque não há impulso e nem inserções de atitudes sem o consentimento do próprio eu. Não combina com a dignidade pensar que os desonestos são, sempre, os outros, a solução está com os governantes e a ética é para os mais velhos, e por aí vai. 
Os vídeos e as músicas piratas, os contrabandos e as falsas verdades são parceiras das propinas por vantagens ilícitas e de vários outros benefícios que fatalmente derivam para o prejuízo de terceiros e só incomoda ao provocador quando, diretamente, é prejudicado, pois não se preocupa com a destruição da cadeia sucessória produtiva e financeira que gira todo e qualquer relacionamento comercial, cujo desdobramento atinge aos segmentos social, pessoal e cultural.
Não haverá benefício coletivo justo se os interesses forem unilaterais. O levar vantagem e o jeitinho brasileiro, nunca serão equânimes, pois alguém será atingido direta ou indiretamente, pelo prejuízo provocado pelo nefasto sistema. Aí vem a máxima : quem pagará a conta? Se houver reflexão sobre a rede que abrange todo o segmento econômico, desde a produção de qualquer bem ou serviço, perpassando pelo consumo, utilização e até a substituição, há de se encontrar inserido, em algumas dessas etapas, o beneficiário inescrupuloso, verdadeiro ator do cenário negativo do processo.
Os exemplos citados no início desse tema são aderentes à falta de responsabilidade dos órgãos fiscalizadores cujo controle é falho ou mesmo inexistente, entretanto os investimentos e custos de tais controles não existiriam se a desonestidade não fizesse parte de cada brasileiro e se a punição fosse severa, para banir atos semelhantes, de parcos miseráveis que em benefício indébito fazem de seus necessitados semelhantes mais miseráveis do que esse desonesto irmão o é.Será que o Brasil vai precisar decepar as mãos dos ladrões, vai precisar utilizar-se da pena de morte, vai precisar encher as penitenciárias de desumanos a custos impróprios ou vai, simplesmente, precisar dar mais tempo para que todos se matem por disputa daquilo que não lhe pertence ou quando desonesto já seja o comum.
Em todos os segmentos a esperança deu lugar ao medo, os honestos estão aprisionados em suas residências, os artigos contrabandeados são comercializados por métodos modernos chamados de deliverys ou virtuais, a pirataria corre solta, a propina está instituída, ninguém quer ser “besta” de ser honesto, para envergonhar-se diante de todos os falsos honestos.O pensamento de que quem deveria dar exemplo é o pior dos mortais é uma verdadeira falácia com carapaça medieval. É a forma mais desonesta de se mostrar honesto e, acima de tudo, difundir o caminho do tudo é devido e possível em benefício próprio, mesmo que ilegal.



Nenhum comentário:
Postar um comentário