21 de nov. de 2010

AJUDA

Não se trata, apenas, de uma palavra de apoio ou mesmo de solidariedade a muitos necessitados, pois, na cidade de Cachoeira/Bahia, essa palavra está em esfera mais sublime representando muito amor e caridade, simbolizada pela crença e cultura de um povo à Nossa Senhora da Ajuda que teve a sua capela construída, no período de 1595 a 1606, de forma bastante primitiva, utilizando-se cal e pedra, por ordem de Paulo Dias Adorno, fidalgo português fundador do povoado que originou a cidade Cachoeira.  A capela da Ajuda foi a primeira sede da Irmandade da Boa Morte.


A procissão com a imagem da santa é realizada durante a noite, percorrendo algumas ruas da cidade e acompanhada por várias pessoas, dentre elas o “juiz” e a “juíza” da festa.


Dentro de uma programação muito participativa, as homenagens à Nossa Senhora da Ajuda tem, dentre os seus pontos altos, a denominada “levada da Ajuda”.

Participantes da festa com alguns mandus
Caracterizada por uma banda de músicos percussionistas que entoam sons em ritmos frenéticos, seguidos por uma multidão que percorre várias ruas da cidade, a Levada é integrada por pessoas travestidas com as mais variadas fantasias, destacando-se os “cabeçudos” e os “mandus”.

A alvorada das 5 horas da manhã da o sinal de que o cortejo está saindo da capela e a população, já envolvida com a tradição, aguarda em vários pontos da cidade a passagem do cortejo, seguindo-o em clima de total animação, descontração e alegria.

A cidade se transforma em um verdadeiro palco de musica e artes, agregando cachoeiranos e visitantes dos mais diversos pontos do mundo.

Seguindo os passos no balanço dos sons das diversas bandinhas que vão, a cada ano, aderindo ao evento e fazendo a “puxada” de blocos formados por integrantes de diversas origens e fantasias, a cidade fica menor ainda e o cansaço do povo que segue a bandinha parece não existir.
As cenas que surgem aos olhos dos curiosos, seguidores e não menos interessados foliões das diversas gerações, formam um verdadeiro espetáculo de rara beleza pela participação de uma massa que faz da tradição a sua descontração, pelo menos por momentos poucos, mas de muita representatividade na vida alegre de uma comunidade que extravasa sentimentos sem se distanciar da crença por dias melhores. 

Dona Nair - ex funcionária do
Colégio Estadual da Cachoeira 

Os mais antigos, que da sua forma simples de viver e agradecer à sua Santa protetora, jamais poderiam imaginar que estariam perpetuando a sua demonstração, mais pura, de sentimento e devoção.

O passeio pelas estreitas ruas da histórica cidade faz da simplicidade dos gestos das pessoas e da belíssima arquitetura colonial a rica paisagem de um perfeito e harmônico contexto cultural que agrada a sábios e poetas, bem como aos simples observadores daquilo que a natureza revela como importante e gostoso de se contemplar, por horas intermináveis.

Muita animação, muita comida típica da região como: feijoada, maniçoba, mingaus diversos, além dos várias iguarias da culinária baiana, fazem a ceia gastronômica dos mais exigentes paladares.

Ainda seguindo os cortejos, várias histórias contadas, baseadas em lembranças de um passado vivido com intensidade, trazem à mente de qualquer visitante um verdadeiro filme imaginário do que representa a magnitude do evento, permitindo a saída do seu momento real e cotidiano, através de uma transposição para um mundo simples e rico em momentos diversos e singelos expressando uma vida básica e tão somente necessária à razão do ser.

Tudo isso é vivido na festa de Nossa Senhora da Ajuda, na bela Cachoeira do tranqüilo rio Paraguaçu, distante 108 quilômetros da capital baiana.

Disse o poeta, traduzido na musicalidade bem baiana :
 “capela da Ajuda já deu o sinal, quem quiser sambar apareça”

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