Como é bom dar aquela paradinha para pensar no passado. Muitos chamam a isso de nostalgia, outros de melancolia, mas, na verdade e independente do nome que venha a ser, é uma verdadeira viagem da mente, principalmente para quem está na fase dos 60. É a chamada paradinha básica, para rever conceitos, modos de vida e preparar o espírito para novos desafios que são tantos e a cada dia aumentam em velocidade desproporcional à vontade de permanecer saudável. Como diz o “filósofo” Rodrigo, meu filho : é pai, o tempo vai passando e a saúde é igual a uma máquina, aperta-se um parafuso folgam-se dois ou três....Tardes de domingo, uma rede embala os meus pensamentos orquestrados por cânticos dos pássaros que passeiam pelos galhos da mangueira que lhes dá sombra e abrigo, além de oferecer boa água no caco de barro feito na velha Cachoeira do Paraguassú.
O por do sol é a visão que traz uma paz que incomoda o espírito dando algumas pontadas no coração e faz a mente viajar como que querendo trazer de volta o passado vivido sem a preocupação do futuro que, agora presente, fica distante.Ruas estreitas com antigos casarios e calçadas com paralelepípedos, puro ar de interior, antigos conselhos dos mais velhos que já se foram, travessuras infantis, namoros apaixonados.
Lembranças das professoras do primário, saudosas Dona Dédé e Dona Marieta, quanto esforço para que eu aprendesse o que o futuro me cobraria;
os Tincoãs, conjunto musical de Dadinho, Mateus e Eraldo, inesquecível identidade com a cultura cachoeirana entoava melodias de um povo sofrido ou de um amor platônico ou real; seu Valdir, amigo professor de educação física, companheiro compreensivo com as minhas limitações para os exercícios. Quanto é bom relembrar e trazer etapas da vida de garoto, de jovem e de estudante do CEC – Colégio Estadual da Cachoeira, amigos como Nayson, Ginaldo e tantos outros, verdadeiros cúmplices da necessária arte de aprender; lembro-me, também, da professora Jovenina, meu Deus como me exigia aprender história do Brasil, até que consegui passar de ano, mesmo fazendo a tal 2ª época;
o desfile cívico do 25 de junho era algo de destaque, era a homenagem a data magna da cidade, eu adorava!
Muitas e muitas etapas distantes, mas próximas na mente, como : banho no rio caquende; pegar passarinho nos arredores do hospital das crianças; banho no rio paraguassu com a consequente injeção de Estibofem Glaxo (nem existe mais), contra schistosoma, aplicada por Salu o médico que já deveria ter sido, na querida farmácia Regis próxima a loja Jormeire e o foto Valter; a tradicional festa de São João; o importante cine Glória; o carnaval na Esportiva ou mesmo na rua, animado pelo som de Elias “paco-paco”; a festa da padroeira Nossa Senhora do Rosário e tantas inúmeras lembranças. Essa é a dor que só se vive quando já se viveu.
A rede balança, o vento propaga os sons dos bares próximos com canções diversas que chegam aos meus ouvidos, algumas machucam o coração, pois me transportam para momentos apaixonados, outras mostram a realidade de que o tempo já passou e que a vida deve ser tocada dali em diante.
Os filhos já adultos, os cabelos já grisalhos, as rugas acompanham a mim e a minha, sempre, querida Laurinda, mas o corpo ergue-se e me conduz, dentro das atuais forças, a fazer deste presente a história do futuro que já não será tão duradouro como a juventude foi, mas, com certeza, deverá e terá que ser vivido com as surpresas e os momentos ímpares de uma vida intensa.
Essas são algumas cenas reveladas pela memória que tem o coração como mentor e principal ator.

Um comentário:
Maria está diferente nesta foto. Ela já viu? rs
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