E agora, o que fazer ?
Várias vezes nas nossas vidas encontramos situações em que a decisão passa por nós mesmos e pode parecer, para muitos, coisas normais, entretanto para outros tantos são momentos angustiantes. A vontade, aliada à necessidade implantada pelos tidos como normais, como ter-se que decidir da melhor forma, da coisa acertada e de não se cometer nenhum engano, pois o sofrimento depois será maior, transforma decisões em verdadeiros calvários.
Será que todas as decisões que tomamos ou teremos que tomar na vida tem o mesmo grau de importância? Será que temos que ser infalíveis? O melhor e o pior são diferenciados por decisões acertadas? Errar, ainda, é humano?
Certa feita, uma pessoa me conversou sobre uma decisão a tomar, algo que me parecia simples, aliás, “os problemas dos outros nunca nos chegam como problemas, pois é dos outros. Aquela máxima de pimenta no dos outros é refresco....” ouvi, atentamente, era o mínimo que eu poderia fazer, o que fiz, e as suas verdades me foram passadas de forma sincera e com certo temor e bastante insegurança na decisão a ser tomada.
Tratava-se de uma mudança de vida, algo em que a pessoa teria que optar por uma situação ou outra e ambas lhe interessavam, mas a decisão teria que ser por uma delas.Conversamos por muito tempo e toda a conversa girava em torno de duas vertentes: receio e desafio. Alias todas as decisões tem, também, esses fortes ingredientes.
Até nos perguntamos: por que temos que enfrentar desafios? A vida não seria mais fácil se não houvesse os desafios?
Pois bem, na verdade, sempre, com maior ou menor intensidade, em várias etapas das nossas vidas os desafios são eternos companheiros “chatos”, mas nos perseguem e às vezes nem percebemos que passamos por alguns deles e resolvemos “no automático” de forma muito simples. Após a conversa com exemplos, concordâncias e discordâncias, tive uma conclusão que me fez entender que a pessoa com quem eu conversava me pareceu bastante normal, entretanto com um nível de insegurança muito grande alicerçado na preocupação de não se permitir errar, ou seja : a decisão a ser tomada teria que ser a melhor, teria que não ser reparada posteriormente e, obrigatoriamente, seria a que melhor lhe proporcionasse bem estar e não repercutisse negativamente entre todos os que estão à sua volta. O mais importante, ainda, a decisão a ser tomada teria que passar pela sua competência, não lhe trouxesse transtornos e, nem de longe, desafios intransponíveis.
Mas conversamos muito e pude perceber, mesmo sem o dom dos analistas de plantão, na verdade competentes doutores de análises do ser, do ter e do existir, que dois pontos aliavam-se às vertentes “receio” e “desafio” que são “auto-estima” e “responsabilidade”.
Dessa percepção, tida por concordar com os mestres que atestam que:
Receio é o ato ou efeito de sentimento de apreensão em face do que se julga perigoso; incerteza, acompanhada de certo medo, a respeito dos resultados ou conseqüências de algo que aconteceu ou pode acontecer.Desafio ato de instigar, estimular, provocar, questionar. Instigar a curiosidade, estimular a busca de conhecimento, provocar debates. Barreiras, obstáculos, etapas deconhecidas.
Auto-estima envolve tanto crenças auto-significantes (por exemplo, "Eu sou competente/incompetente", "Eu sou benquisto/malquisto") e emoções auto-significantes associadas (por exemplo, triunfo/desespero, orgulho/vergonha).Responsabilidade é a obrigação de responder pelas próprias ações, e pressupõe que as mesmas se apoiam em razões ou motivos.
E sem delongas sobre o significado de cada palavra ou mesmo das palavras no contexto único, pude afirmar que em situações de decisão todas são importantes, mas a maior dificuldade está em nivelar cada uma ou todas ao “peso” específico daquela decisão. Em linhas gerais, nada poderá ser “tudo por um quilo” e nada estará em medidas iguais no mesmo “cesto”.
O nivelamento de cada uma passará, irremediavelmente, pela importância de cada decisão a ser tomada sobre o questionamento mental diante dos estímulos interno ou externo. Tipo : qual o melhor sapato para a festa de hoje? devemos fazer ou não a cirurgia? Por certo, as decisões que não se relacionem à mínima possibilidade de provocar danos à saúde e/ou a vida, são decisões superáveis, mesmo que, sentimentalmente, dolorosas. E, sobre estas, vemos situações que podem estimular a saída da inércia ou mesmo a saida do estágio doloroso e, até mesmo, danoso à saúde, que é o estágio pré-decisório.
Diante de duas decisões, a análise primeira passa por esquecer as vantagens, os benefícios ou mesmo as coisas boas que virão de ambas, individualmente, até porque a coisa boa já é um ganho, não é mesmo?
O primeiro passo é conhecer os detalhes das duas situações e verificar qual a que maior desafio exigirá. Isso passa pela análise do nível de superação pessoal, aquele que só dependerá do desafiado e das suas ações e competências física e mental. Analogicamente teremos dois volumes que podem ser iguais ou mesmo diferentes, cada um com o seu nível de desafios e, logicamente, deve ser avaliado, item a item de cada conteúdo, começando, sempre, pelo volume que contiver o maior nível de desafios.Avançam-se as etapas eliminando-se os itens dos volumes buscando-se aquele que menor nível de desafios apresentar.
Essa etapa concluída é pré-requisito para a análise de competência, tempo e esforço, necessários para a completa superação dos desafios diagnosticados e que dependerá, tão somente, do desafiado.
Aqui é o ponto crítico. É o momento do conhecimento daquilo que depende, exclusivamente do “meu eu”, quando se deve considerar o nível de competência física e mental, além do nível de responsabilidade que cada qual exige para si mesmo.
Exatamente os fatores como : nível de cobrança externo, não se permitir errar, necessidade primordial de cumprir tarefas e prazos, além dos olhos críticos da sociedade (“entes” e “derentes”), dificultam intensamente a avaliação do desafiado.
Mas a superação passa, com muita intensidade, pela auto-estima. Eu quero, eu posso, eu tenho condições, inclusive de reconhecer os meus erros e tomar atitudes para corrigi-los. Aquela máxima de ser guerreiro, mas ser humilde. A humildade não rebaixa, agrega valores e está aderente aos detentores do poder permitido e concedido, não imposto.
Humildade é uma das formas de ser competente, é uma virtude. Reconhecer erros passa, fortemente, pela humildade verdadeira, a que não se humilha, aquela que não é subserviente.
Outro fator de grande valia na tomada de decisão é a valorização. Se a decisão for por um ou outro volume de desafios, não há do que se pensar mais nos dois volumes. Tomada a decisão, toda a atenção e os esforços serão direcionados para o objetivo da decisão. Sabe a máxima de “quem vive de passado é museu?” ou mesmo a atual expressão popular “a fila anda?”, pois bem passou, ficou para trás.

A construção da nova etapa é fortalecida quando se “desconstrói” as etapas que ficaram para trás. Nada de “velar o defunto” por períodos maiores que o necessário. Outra máxima : “não adianta chorar o leite derramado.” Trabalhar nas etapas de superação dos desafios da coisa decidida pensando nas etapas do que foi desistido é desistir de tudo, é reduzir forças para os novos desafios, é puxar para baixo, é regressão que sucumbe o crescimento e traz danos irreparáveis à auto-estima. Fatalmente, não há como alavancar qualquer etapa do progresso, por menor que seja, se não for, radicalmente, descontruido qualquer item que não pertence ao contexto da decisão tomada.
Vou mudar, quero e posso. Esse será o lema.
Uma boa prática para se esquecer o passado e criar forças para se enfrentar o futuro, dentro do contexto de objetos de decisão para as mudanças, é pensar positivo sobre a nova escolha, valorizando tudo que lhe trará benefícios quer físico, pessoal e espiritual, e pensar negativamente nos intempéries, por certo, inerentes à opção descartada. Tipo : aqui tudo é bom e lá era uma lástima.
Valorizar a decisão tomada é, acima de tudo, criar motivação para enfrentar os desafios, melhorar a auto-estima e obter o sucesso desejado.Esforçar-se para desviar o pensamento do passado é, com certeza, uma forma de concentração ideal para enfrentar os novos desafios, criando alternativas e contribuindo para o bem estar de todos que estão à volta.
O sucesso está em aumentar, a cada dia, a satisfação pessoal, pois se estiver bem consigo mesmo não há como não estar bem com a comunidade, seja ela qual for.


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