2 de dez. de 2010

De qual lado você está?

Na busca pela paz nas comunidades, vivemos, independente do local em que estejamos, momentos de preocupação e, acima de tudo, de busca pela implantação, pelo menos parcial, de uma vida harmônica entre os nossos pares e pela sustentabilidade dessa, tão requerida, PAZ.


Será que os deliquentes ou excluidos querem viver perseguidos pela população dita do bem, pelas forças ostentadoras da certeza e do comprometimento com a coisa certa, com a dureza do regime e com a justiça feita por muitos injustos?



Esse é o tema.

Nascemos e morremos durante um período em que chamamos de VIDA. Vivemos e morremos em estágios de transição sem querermos transgredir. Todos falam do amor, da lisura, da ética, do caráter, da honestidade e da dignidade. Todos, sem exceção, querem a coisa certa, querem ser iguais, terem as suas obrigações e serem recompensados pelos direitos, aqueles ditos “de ir e vir”. Claro, quem não quer?

Assisti a uma das muitas palestras em que profissionais da área social, política, doutores ou, até mesmo, rotulados como sábios das matérias dos direitos humanos falarem para um público, também seleto, sobre ética e dignidade com a certeza de que o problema está fora daquele ambiente, ou seja, fora do ambiente onde se realizava a palestra. Todos concordavam, todos riem dos cenários trazidos como exemplo, todos citam casos, fazem as mais hilárias perguntas e ouviam as mais estapafúrdias respostas, como se o problema não fosse de todos. Ali vêem seres humanos ilibados, sensatos, de alto padrão ético e, acima de tudo, dignos.

Perguntei-me : onde estão os antiéticos?
A resposta é na ponta da língua : em todos os lugares.

Eu, você, quem estiver do seu lado neste instante enfim todos os povos do mundo, em algum momento, principalmente quando se sentem blindados dos olhares de outrem, exercemos algum tipo de
     comportamento antiético.

Dignidade não encontra abrigo em quem propaga ser digno. Os ditos dignos são, por excelência, indignos. Fuja deles o quanto antes. Se não conhece todos os atributos, não se deixe influenciar pelo anjo da dignidade e nem pelo demônio desta, pois não trarão ensinamentos que a sua consciência já não conheça.

 Sim, e aí? Se todos somos antiéticos, indignos, sem caráter, corruptos com mais ou menos intensidade, deveremos exterminar os seres humanos? Não tem mais jeito?

Não, definitivamente não haverá solução para sanarmos esses comportamentos da raça humana, pois a cada dia herda valores que agregam comportamentos espúrios a uma sociedade, justa, igualitária e sem preconceito, tornando-a maléfica e em constante crescimento nefasto.

Não esperemos que as ações dos doutores da verdade, justos ou idosos com vasta experiência, sobre a ética e a dignidade solucionem os trâmites danosos perpassados pela sociedade, com suas palavras que estão alicerçadas no cachê (isso mesmo, na grana que recebem) para encher os nossos ouvidos de “abobrinhas” contando casos dos miseráveis semelhantes, cuja míngua é a sua morada, como exemplo para uma platéia que, a cada exemplo hilário, aplaudem, até de pé, enchendo-os de pontos curriculares para os próximos eventos.

Não podemos esquecer que o caráter, a dignidade, a ética ou o que quer que seja de bom ou ruim, estão contidos na fórmula que Deus utilizou para nos conceber. Seremos “do bem ou do mal” se a família ou a sociedade quiseram. Um ser não nasce bom ou ruim, ele apenas nasce e todos os pré ou pós-requisitos são adquiridos ao longo da vida e, nessa vida, ser bom ou ruim está intrínseco ao nível do que lhe é ofertado ou tirado.

De qual lado você está? Do lado da oferta ou da subtração?

Nós seres humanos estaremos, sempre, receptivos ao que se aproxima de nós e poucos não são atraídos pelas benesses, vantagens, poderes e pressões. A conscientização, falácia ou conselhos não serão soluções para nós que já estamos com as mentes impregnadas pelo “levar vantagem”, “primeiro eu depois os outros”, “puxar a brasa para a minha sardinha” “para os amigos do Rei tudo, para os inimigos o rigor da Lei”, e por aí vai, o que de melhor pode ser visto como uma pequena luz no final do túnel é a ação.

Aja da forma que lhe convier, mesmo sem dizer, sequer, uma palavra, mas aja com práticas e atitudes físicas, concretas e palpáveis, pois as suas ações para o bem serão traduzidas em trilhas agradáveis, rumo a sua satisfação plena, mas se as suas ações forem para o mal as suas trilhas poderão ser, igualmente, agradáveis, mas não te levará a uma satisfação plena.

De qual lado você está?

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