7 de nov. de 2010

MEDICINA TRANSPARENTE

Você já se viu, totalmente, anestesiado ?

Claro que não. Anestesiado é um estado de sono profundo, pode-se dizer que, tradicionalmente, significa a condição de ter a sensibilidade bloqueada ou temporariamente removida.

Com a evolução da medicina, não é mais concebida a realização de determinados procedimentos sem a utilização de anestésicos. Em linhas gerais, dormimos e acordamos sem que tenhamos percebido, absolutamente, nada do que foi feito durante esse sono profundo.
Esse é o foco que trago para uma reflexão.

Quem me vigia enquanto durmo ?

Normalmente, na maioria dos procedimento em centros cirúrgicos ou salas para exames especiais, o paciente é anestesiado antes do procedimento e permanece nesse estado até o retorno à sala de recuperação.

Pergunta básica : o que fazem com o paciente, durante esse período ?
A resposta busca, sempre, a ética, mas todos sabem que já, por diversas vezes, foram divulgados episódios em que o abuso, a negligência médica ou mesmo o desrespeito com o paciente foram questionados e, em alguns casos, evidenciados com provas outras que não a visão real do evento.

Por que todo e qualquer procedimento em que o paciente está anestesiado não é filmado e a ele não é entregue, posteriormente, o vídeo de todo o cenário em que ele foi o ator principal? É por ética? Então que os Conselhos de Medicina mantenham em seus arquivos virtuais, gravações de todos os eventos realizados enquanto o paciente estiver anestesiado.

Será que tudo que era para ser feito foi, efetivamente, feito?

Exemplo de um procedimento simples : um exame de colonoscopia em que toda a orientação prévia é passada ao paciente, mas antes dos procedimentos, já no leito cirúrgico, é avisado ao paciente da necessidade de se fazer uma drenagem do líquido que está no estomago, apesar do paciente ter seguido todo o rito determinado e não ter nenhum sintoma de que haja alguma quantidade de líquido no estômago.
O alento, faz-se uma endoscopia e depois a colonoscopia, totalmente indolores, pois o paciente já estará anestesiado. Será que foram, realmente, feitos os dois procedimentos?

Saberemos ? Pode-se confiar, totalmente esquecendo-se do famigerado mercantilismo da medicina?

Até aqui, o destaque para a realização ou não dos procedimentos, porem o que de pior existe é a realização inadequada do procedimento ou a falta de escrúpulos e de competência de muitos profissionais que por vezes surgem nos meios de comunicação, como verdadeiros monstros, independente da formação, graduação ou outros títulos que a medicina lhe conferiu.

A evolução tecnológica e os avanços sociais não mais concebem ação do homem sobre o homem sem a transparência devida, principalmente quando essa ação é unilateral sobre um ser vivo porém inerte. Chega de subterfúgios, proteção ou mesmo blindagem ao profissional da área de saúde, quando em exercício da profissão em que o paciente é vítima, está em risco e desacompanhado de membros da sua família.
Todo respeito ao profissional da área médica, mas enquanto o paciente estiver inconsciente algo deve monitorar todos os movimentos, gestos e ações de todos, para o bem de todos.

Um comentário:

Taíssa disse...

Acho este um tema bem interessante para ser discutido e concordo com a ideia de monitoramento em situação de paciente desacordado. Bom texto!