23 de jan. de 2011

Imaginou-se com 60 anos ou mais?
Não se preocupe com o “andar da carruagem” já que o gado tem fôlego suficiente para a cavalgada e a estrada é tranquila para chegarmos ao destino. Mas qual é o destino?

Isso. Qual é o destino? 
Resposta na ponta da língua : o destino é viver intensamente cada momento, ser feliz e ter saúde para dar e vender.
  

Esse pensamento de agora, quando somos detentores das ações da família, somos consultados para os conselhos, somos ouvidos e estamos na faixa entre 35 e 50 anos de idade, em plena atividade física e mental, vivemos dentro de uma realidade de importância do ser inserido na necessidade da vida pela vida, nos coloca distantes do que reserva a velhice para cada um. Essas fases vão passando sem nos apercebermos que as atenções e as razões do ser começam a dar lugar à desatenção e à indiferença, cruciais sintomas que sentem os mais velhos, quando os jovens começam a caminhar nas mesmas estradas, onde, antes, eles eram os jovens andarilhos.

Envelhecer ou morrer, qual a sua opção?

Não há como ficar vivo e não envelhecer, o envelhecimento é a etapa da vida que nos conduz à morte, aliás, sendo mais enfático, podemos dizer que o objetivo da vida é a morte e uma das etapas da vida é o envelhecimento.

Sem jeito a dar nessa caminhada, surgem os hipócritas, pessoas ou organizações, com uma orquestração para fazer o “velho” imaginar-se não tão velho e colocam no caminho da vida umas tais de “terceira idade”, “melhor idade” e por aí vai, são tantos rótulos idiotas que os idosos começam a ter que aceitar as baboseiras criadas para fazê-los imaginar que está numa fase melhor do que a dos jovens, quando, na verdade nada disso ele precisa para entender-se “velho” e o pior é que tudo isso contracenado com o comércio que especula sobre os “sessentões” todas as formas de vender-lhes as “quinquilharias” que são “pano de fundo” da velhice irrefutável.

Pinturas para cabelos, cirurgias para todos os gostos com o tal de estica e puxa daqui e dali, estimulantes sexuais, academias, inúmeros grupos terapêuticos e de socialização etária, estão à disposição como uma arte de transformação que, de certa forma, massageia o ego dos “velhinhos” que, no mínimo, tem a grana cobiçada por muitos. E os que não têm?

Uma justa aposentadoria e uma dignidade real da sociedade e da família, o que são deveres de todos, dariam ao idoso o cajado necessário para a sua caminhada.

O respeito da família, o carinho, a compreensão, a aceitação da velhice dos pais, são os fatores preponderantes para um idoso. A sua experiente palavra, vinda da concepção da vida vivida intensamente, devem ter espaço nos ouvidos ávidos pela coisa nova, pelas experiências por viver e pelas “baladas” que os esperam. Esses ouvidos fecham-se e a indiferença pelos idosos começa bem antes do que antes começava.

 
Pais são achocalhados, menosprezados, desamparados, por filhos que às vezes envergonham-se da sua companhia. Muitos “idosos” estão em asilos de velhos por não serem necessários em casa. São verdadeiros desprezíveis, desprezados e maltratados por muitos que eles já acalentaram, cuidaram e sofreram com o sofrimento deles.
 
Enquanto isso, “a melhor idade” vende, tranquiliza os diversos interesses da sociedade, organismos governamentais, parentes e “derentes” tentando amenizar o passar dos anos que não pára, não perdoa e mata.
Envelhecer é uma arte, já disse, por aí, algum idiota que está envelhecendo sem se dar conta da exata etapa da vida, ou mesmo um jovem que estimula , de forma equivocada, o idoso a ter um momento de satisfação, pois a arte é a vida, independente da idade em que se está inserido nela. 

Enquanto isso tudo é possível, permitido e não engorda, vamos envelhecendo imaginando que ainda é orgulho dizer-se :

Sou velho, mas não me troco por esses jovens de hoje.

Pobre discurso chulo.

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